ARK Porto – Escola dos Confins e de nenhures – Joclécio Azevedo E Inês Moreira – 2020 – 2021

Uma produção Teatro Municipal do Porto em parceria com Cultura em Expansão 
Conceito original e direção artística ARK Quarantine
Co-curadoria ARK PORTO Joclécio Azevedo, Inês Moreira
Com a participação de CRL Central Elétrica – André Braga, Cláudia Figueiredo e Pedro Vilela; Curbes_ESAP – Isabelle Neri, Lívia Barts, Mariana Morais, Marina Rei, Teresa Arêde, Vanessa Spanholi; Inês Tartaruga Água; InterStruct Collective; Jorge Ricardo Pinto (ensaio); Pedra no Rim; Rebecca e Yasmine Moradalizadeh; Rodrigo Paglieri; Visões Úteis
Reportagem de terreno Gisela Leal
Cenografia Inês Moreira em colaboração com Clarice Cunha
O projeto MOVING BORDERS é cofinanciado pelo programa Creative Europe da União Europeia.

A cidade é um constante work in progress que nos seus processos vai criando novos espaços, gerando também fronteiras, barreiras e outras formas de invisibilidade. Como podemos acompanhar os processos contínuos de transformação? O que escondem e o que deles deve ser revelado? Quem conhece e quem pode expor as várias fronteiras invisíveis? Podemos conceber novas formas de pensar, estar e construir juntos?
A ARK PORTO é uma escola – Escola dos Confins e de Nenhures – entendida enquanto local de transmissão de conhecimentos e situada no centro de uma praça, no cruzamento de diferentes freguesias, comunidades e percursos da cidade.
Diferentes coletivos, associações e grupos de artistas e pensadores da cidade foram convidados a juntar-se ao processo de construção desta escola, enquanto plataforma de análise e reflexão sobre o contexto sociocultural da cidade do Porto.
A ARK PORTO Escola dos Confins e de Nenhures desdobra-se nesta exposição e num programa de atividades de exploração e ativação de novas cartografias, tanto no papel impresso, como em conferências, oficinas e caminhadas sobre as realidades que se revelam. 

PROGRAMA

2 – 9 julho / 10.30h – 12.30h (exceto dia 4)
Exposição ARK PORTO Escola dos Confins e de Nenhures
Entrada gratuita
1 julho / 17.00h – 18.30h 
Conferência Cartografia
com Jorge Ricardo Pinto
O professor e investigador nas áreas da história, do património, da geografia e do turismo, questionará o conceito de cartografia, a sua evolução histórica e o papel dos mapas na sociedade.2 julho / 14.30h – 17.30h 
Oficina a partir do mapa Interrupções na Freguesia de Campanhã
com Visões Úteis
O projeto artístico, de origem teatral, atualmente residente em Campanhã, parte da sua relação e trabalho com a freguesia para revelar as interrupções físicas que só se descobrem no confronto com o território, relacionando o conceito de “fronteira invisível” na cidade com a vivência na linha da fronteira nacional.
3 julho / 14.30h – 18.30h 
Oficina + percurso a partir de Mapa de Despojos
com o coletivo Pedra no Rim
O coletivo da freguesia de Bonfim, no Porto, que questiona as noções de belo, grotesco, a morte e “espuma dos dias”, através da construção artesanal de objetos em cerâmica, convida-nos a descobrir, pela manipulação e pela deambulação, despojos de violência, crueldade, abandono e morte na cidade.
5 julho / 14.30h – 18.30h 
Oficina de movimento a partir do mapa Questionamentos Brasileiros
com CRL – Central Elétrica
CRL – Central Elétrica, centro de criação transdisciplinar com direção artística de André Braga e Cláudia Figueiredo, partilha connosco o processo criativo de Travessia, um projeto de Pedro Vilela, que se debruça sobre a comunidade imigrante brasileira a residir na cidade: há um Brasil que quer fazer perguntas a Portugal.

O espetáculo Travessia será apresentado de 8 a 11 de julho no programa do Cultura em Expansão. Mais info sobre o espetáculo em www.culturaemexpansao.pt/sessao/travessia/.
6 julho / 14.30h – 18.30h 
Oficina a partir do Mapa  Sahari-Rozeh-Iftar: Comunidade Islâmica do Porto
com Rebecca e Yasmine Moradalizadeh
Irmãs e artistas plásticas luso-iranianas propõem compreender e dar a conhecer estas presenças islâmicas a partir dos seus focos de convivência e interatividade social no panorama urbano do Porto e, de forma sensorial e gastronómica, apelar para alguns dos costumes muçulmanos, promovendo uma maior interação extracomunitária para que se quebrem e desmistifiquem certos pré-conceitos…

A participação nesta oficina inclui a possibilidade de uma visita ao Centro Islâmico do Porto no dia 6 de julho, a partir das 10h30.
7 julho / 14.30h – 18.30h 
Oficina + percurso a partir de Mapeando Caminhos Descoloniais
com InterStruct Collective [em inglês]O coletivo fundado em 2018 com o propósito de possibilitar que pessoas de diferentes origens culturais possam colaborar, propor intervenções e encenar projetos artísticos, revisita a Primeira Exposição Colonial Portuguesa (1934) e o seu legado numa oficina, assente em métodos horizontais e colaborativa, e num percurso, com início nos Jardins do Palácio de Cristal.8 julho / 14.30h – 16.30h 
Oficina a partir do mapa Esferas Relacionais em Lugares Públicos
com Curbes_ESAP
Constituído por seis estudantes da primeira edição da Pós-Graduação em Curadoria, Cultura Urbana e Práticas Espaciais da ESAP, CURBE_ESAP propõe uma reflexão sobre os encontros das esferas individuais, entre os que utilizam o espaço público, abordando a ideia de fronteira invisível associada às dimensões da geografia comportamental, esfera pessoal e processos de sociabilização durante e após os confinamentos.
9 julho / 14.30h – 18.30h 
Percurso a partir de RÁDIO-MAPA COMUNA: O caçador de ondas
com Rodrigo Paglieri
O professor e artista-investigador oriundo de Santiago do Chile e residente no Porto desde setembro de 2019, propõe uma caminhada pelo Porto – da Praça do Marquês de Pombal à Boavista, passando por Miragaia – para captar os sons da cidade, abrindo a possibilidade de uma transmissão destes via antena de uma rádio comunitária em FM.
10 julho / 10.30h – 18.30h 
Oficina a partir do mapa ToxiCidade: Hiperplanos cartográficos do ar e do corpo
com Inês Tartaruga Água
A artista multidisciplinar, centrada nas questões da ecologia profunda e da biopolítica, exploradora sonora e adepta da filosofia DIY e de práticas colaborativas e participativas em espaço público, conduz-nos na construção individual de um leitor de poluição sónico.


MOVING BORDERS
é um projeto que envolve sete instituições culturais europeias – Teatro Municipal do Porto, Hellerau European Centre of the Arts (Dresden, Alemanha), Le Maillon (Estrasburgo, França), Ringlokschuppen (Mülheim an der Ruhr, Alemanha), Spring Performing Arts Festival (Utrecht, Países Baixos), Performing Arts Institute (Varsóvia, Polónia) e Onassis Cultural Centre (Atenas, Grécia), cofinanciado pelo programa Creative Europe da União Europeia. Ao longo de dois anos, serão produzidas sete versões únicas de um conceito artístico, ARK, do coletivo de artistas britânico, Quarantine, que decorrerá nas cidades de Atenas, Dresden, Mülheim an der Ruhr, Porto, Estrasburgo, Utrecht e Varsóvia, em colaboração com artistas, criativos e cidadãos locais e adaptado à realidade demográfica, histórica, cultural e social única de cada cidade. Enquanto projeto de cooperação, MOVING BORDERS propõe contribuir para a reflexão sobre o conceito de “fronteira” e as suas manifestações nas sociedades europeias contemporâneas, com especial foco nas várias fronteiras que ressurgem incessantemente em diferentes contextos sociais, culturais e económicos.

Fotos: José Caldeira, Alexandra Fernandes e Pedro Sardinha