Estratégias de colisão, 2006, Joclécio Azevedo ©Susana Neves

Estratégias de colisão – 2006

Solo criado para a primeira edição do Trama Festival de Artes Performativas. O vocabulário é composto por uma espécie de antologia de formas de progredir no tempo, utilizando a ideia de colisão como motor de ativação do processo coreográfico. Cada nova acção é utilizada como um ponto de partida, numa contínua procura de resolução, sempre com a possibilidade do colapso e da falha. Oferecem-se coisas ao público: cadeiras, sorrisos, máscaras, micro-performances. O público é organizado como cenário. Surgem danças em espiral que colidem com danças de transição e de descanso. A uma dança futurista improvisada segue-se um corpo caído que permanece quase sempre perto do chão. Surgem muitas complicações, o peso, as mãos, a complexidade crescente, a automatização de movimentos. O corpo assume a respiração de um outro animal, procura a concentração do aparelho respiratório intensificando. O animal respira pela pele numa viagem interna. Progressivamente o intérprete ensaia movimentos e passos em falso para uma dança barroca e burocrática: uma dança distorcida com pequenas explosões em arritmia. Explosões em forma de pré-linguagem. Explosões do corpo e compressão do ar. Fragmentos de frases incompletas que se acumulam na memória. A partir do registo escrito de cada ensaio constrói-se um roteiro de colisões, ações que se vão amontoando como frases desarticuladas durante a performance:

Uma colisão dimensional entre dois objetos, ou duas partes do corpo, ou uma parte do corpo e um objeto. Uma imagem colide silenciosamente com uma palavra. Um exemplo colide com outro exemplo. Entre dois objetos uma colisão dimensional. Um corpo elástico colide consigo próprio e com uma possibilidade narrativa absurda. Examinam-se as velocidades relativas de um corpo relativamente distribuído pelo espaço. Reorganiza-se a linguagem como uma colisão elástica pluridimensional, uma ferramenta para explorar uma variedade de colisões.

Criação e interpretação: Joclécio Azevedo | Figurino: Osvaldo Martins

Fotografia: Susana Neves