Repartição (I, II, III) – 2015

Repartição, Joclécio Azevedo©Diogo Oliveira

(Estrados em madeira, mesas, estruturas em ferro, microfones, tripés, canos metálicos e diversos outros objectos encontrados)

Este trabalho foi criado para “Lugares de Viagem – Bienal da Maia 2015”, com curadoria de José Maia. Foi originalmente apresentado em três partes integrado na exposição “Um lugar cheio de tempo”.

A ação de repartir, de separar, de isolar partes de um todo figura como motor inicial deste trabalho. Da combinação de matérias encontradas forma-se um organismo sonoro, integrando restos de dispositivos de exposição, de armazenamento e de amplificação sonora. É a partir do esboço de diálogo que surge entre as partes e o todo da sua constituição que se configura esta obra que é reformada progressivamente, pouco a pouco, enquanto objecto híbrido, desenho tridimensional de uma cenografia disfuncional. As partes deste objecto-instrumento conectam-se e desconectam-se no espaço, sendo habitadas por ações performativas que acontecem no seu interior e que interferem com a disposição dos suas formas, mantendo o seu carácter inacabado e aberto. Neste cenário inscreve-se o guião de uma peça composta por ruídos que evocam a aridez das linhas de montagem em grandes fábricas e o esvaziamento do gesto na sua repetição. Toda a construção evolui sem plano, acidentada, cresce indiscriminadamente e problematiza-se a cada novo elemento que vai sendo acrescentado ao espaço.

Concepção, construção e performance: Joclécio Azevedo

Lugares de Viagem – Bienal da Maia 2015

Performance apresentada na exposição “Um lugar cheio de tempo”, com trabalhos de João Marçal, Joclécio Azevedo, Pedro Tudela e Vera Mota. Curadoria: José Maia

Fotos: ©Diogo Oliveira e ©Manuela Matos Monteiro